Charles Darwin nasceu em 1809 na cidade de Sherwsburry, em Inglaterra. O
seu pai, Robert Waring Darwin era médico e religioso devoto. Assim
sendo, Darwin foi guiado para a profissão de médico, tendo mesmo
frequentado a Universidade de Endiburgh para estudar medicina. Porém,
veio a compreender que essa profissão não era para ele, e assim, de novo
guiado por influência do pai, foi para Cambridge a fim de estudar
Teologia.
Em Cambridge, como em Endiburgh, Charles não foi nenhum prodígio, pois a sua verdadeira paixão era a Ciência e História Natural.
Foi
Henslow (botânico e professor em Cambridge), amigo de Darwin quem de
facto lhe indicou o seu verdadeiro caminho de cientista. Foi ele quem
conseguiu para Darwin um lugar no H.M.S. Beagle, navio a bordo do qual
Darwin iria acumular as provas que formariam o alicerce da sua teoria. O
seu pai, que não reagiu bem a essa expedição e chegou mesmo a proibi-lo
de embarcar, acabou por ceder diante da intervenção do tio de Charles,
Josiah Wedwood.
Assim, dois dias após o Natal de 1831, Charles
Darwin, com apenas um diploma de Teologia, zarpou como naturalista do
Beagle, numa viagem de 5 anos ao redor do Mundo. A viagem levou Darwin
primeiro às ilhas de Cabo Verde, depois para a América do Sul, onde
visitou muitos lugares ao longo da costa, depois para a Nova Zelândia e
Austrália, via Ilhas Galápagos, entre outros variados locais, tendo
regressado de novo para a terra natal, em 1836.
Durante a viagem,
Darwin passou períodos de doença, mas onde quer que o navio passasse,
ele colectava rochas, fósseis, aves, insectos e também animais de grande
porte.
Para Darwin, a parte mais importante de toda a viagem e até
talvez mesmo de toda a sua vida, foram as quatro semanas que ele passou
explorando as Ilhas Galápagos, arquipélago isolado no Pacífico, a
algumas centenas de quilómetros a oeste do Equador. Aí, ele anotou que
cada ilha parecia ter o seu tipo de tentilhão. Mais do que isso,
diferentes nichos ecológicos, numa mesma ilha eram com frequência
habitados por tentilhões diferentes e estes sem dúvida procediam de um
tronco comum.
Darwin chegou à Inglaterra convicto que as espécies não eram imutáveis, mas sim susceptíveis a transformações.
Quinze
meses após ter iniciado as anotações para a transmutação das espécies
(The Trasmutation of Species, 1837), ele estava mais do que nunca
convencido que as espécies mudavam na realidade, embora continuasse sem
perceber como a selecção poderia ser aplicada a organismos que vivem na
natureza. A certeza viria quando lendo “para se distrair” o livro sobre a
população de Thomas Malthus (1766-1834), que afirmava que as populações
tendem a crescer em proporção geométrica, salvo se forem impedidas,
Darwin se apercebeu que as alterações que favoreciam um indivíduo
permitir-lhes-iam prosperar, quando comparado com outros não possuidores
dessas novas propriedades. Assim, as populações de animais com tais
mutações floresciam, enquanto aquelas com características menos
vantajosas declinavam.
Só em 1842 é que Darwin escreveu um
pequeno resumo, com cerca de 35 páginas, sobre a sua teoria. Seguiu-se
dois anos depois uma versão ampliada com cerca de 230 páginas.
Em
meados de 1856, pressionado pelos seus amigos, Charles Lyell e Joseph
Hooker, Darwin iniciou um tratado científico a que deu o nome de
Selecção Natural. Dois anos depois tinha completado dez capítulos e
estava bem avançado no décimo primeiro, quando em 8 de Junho de 1858,
recebeu uma carta que abalou todos os seus planos. Era do naturalista
Alfred Russel Wallace, que sabia do interesse de Darwin sobre a
evolução. Em Fevereiro desse ano, durante uma expedição à Ilha de
Ternate, nas Molucas, entre a Nova Guiné e Bornéu, Wallace tinha estado
acamado e tinha estado a pensar sobre o problema de como as espécies se
transformariam. Também ele tinha lido Malthus e estava deslumbrado com
aquela teoria. As suas ideias eram paralelas às de Darwin. Com isso,
concretizava-se agora o que tinham temido e expressado dois anos antes
Lyell e Hooker, isto é, que outra pessoa chegasse à teoria da selecção
natural antes que Darwin publicasse a dele.
Em virtude do ensaio
paralelo de Wallace, Darwin seria forçado a escrever o livro, por tanto
tempo adiado, que foi feito no prazo de quinze meses.
Em «A
Variação nos Animais e nas Plantas Domésticas», publicado em 1868,
Charles Darwin aprofunda os argumentos do seu primeiro livro. Encorajado
pelo seu êxito, publica em 1871, « A Descendência do Homem», e depois a
«A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais» , em 1872.
Quando
morre, em 1882, a glória de Darwin é de tal forma que é enterrado ao
lado de Newton, na Abadia de Westminister, em Inglaterra.

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