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quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Papa Francisco recebe importante líder da Teologia da Libertação

Papa Francisco ganha um boné de uma criança durante audiência geral na Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira (11). (Foto: Alessandra Tarantino/AP)

O Papa Francisco recebeu na quarta-feira pela primeira vez o padre peruano Gustavo Gutierrez, considerado um dos pais da Teologia da Libertação, indicou nesta quinta (12) a assessoria de imprensa da Santa Sé.
Essa audiência privada não havia sido anunciada oficialmente. A reunião pode ser vista como um passo para uma reabilitação completa da corrente, nascida na América Latina na década de 1970.
A Teologia da Libertação por muito tempo despertou suspeitas do Vaticano, que temia desvios marxistas.
O "Osservatore Romano" já havia dedicado na semana passada um grande espaço à publicação na Itália de um livro já publicado em 2004 na Alemanha, que tem como autores o arcebispo alemão Gerhard Ludwig Müller, atual prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (ex-Santo Ofício), e Gutierrez, de 85 anos de idade.
O livro foi intitulado: "Em nome dos pobres, Teologia da Libertação, a Teologia da Igreja".
Este encontrou acontece em um contexto favorecido pela eleição do primeiro Papa latino-americano.
Nomeado pelo papa Bento XVI, Müller, como arcebispo na Baviera, tinha estabelecido relações amistosas com o padre Gutierrez, um teólogo que nunca foi censurado ou punido pelo Vaticano.
A briga entre o Vaticano e a Teologia da Libertação data do pontificado do Papa João Paulo II, que afirmou em 1979 que "a concepção de Cristo como um homem político, revolucionário, como o subversivo de Nazaré, não correspondia à catequese da Igreja".
O então prefeito para a Doutrina da Fé, Joseph Ratzinger, futuro Bento XVI, havia punido vários teólogos, acusando-os de uma análise marxista da Bíblia. Um desses teólogos foi o brasileiro Leonardo Boff.
O arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, defensor de uma Igreja dos pobres, sempre foi crítico em relação à Teologia da Libertação, pelas mesmas razões.

No entanto, de acordo com o bispo Müller, Ratzinger não só criticou a Teologia da Libertação em seus documentos doutrinais de 1984 e 1986, mas reconheceu também intuições justas no campo social. Muitos analistas consideram que, ao escolher Müller como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o ex-Papa já havia aberto o caminho para uma reabilitação progressiva.

Fonte: g1

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